Do 31 ao 40

31
Se me fas un francés
regaloche un portaviós,
porque ti es o meu vulto
e non che quedan máis collós.

E se non o keres faser
chamo a unha dos batallós
neste mundo son o puto xefe,
tamén podes chamarme boss.
   Malfalao

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32
ÁCCESIT. Premio Pessoa ao máis heterónimo

Azul, azul como um ghato no telhado de zinco e meia de seda,
vai bailar Laurinha, Laurinha, Laurela,
violeta parra vir a junta mim, parra vir a junta mim,
rosinha rosinha rosa não regues mais a roseira
vermelha como o Sangue dos Mártires Patriotas,

Tudo isso és tu minha Laura que te bote de menos mogollón!

Já che digem que sou um vulto da políteca,
ou la lá la Laura,
que se estivesses aqui
choraria d'amor por ti.

La la la la Laura!:

É que che juro que
me dás um ghusto quando
subo ao portaviões po
la escalerilla d'atrás.

O mundo é francês ou não será.
   U-lo Arestora

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33
Aznar e as súas necesidades

O caso está na ruda adversidade urxente
No váter sen clientes
No vidé dun cuarto independente
No portaavións sen televidentes
No vulto evidente
Do presentador drogodependente
Que percura un francés surprendente
Na sala de maquillaxe da TVG máis repelente.
   O tío Marcos da Parcela

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34
Caro George:
Os teus porta-avions
Eu passo-os polo vulto.
Assinado: um encantador tipo francês.
   Jacques

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35
Cantiga para Laura

Da doenza do meu vulto
eu fora vosa menciña
só con vós serdes a miña

Sonche moitas as razóns
pra curar dunha atacada
fogaxe tan desesperada
que abafa este corazón
inmenso como un portaavións:
ven aquí querida miña
que teño remedio e menciña.

Do dereito e do revés
só ti podes darme a cura
deste quentor que me fura,
trebellarei contigo un mes
se me fas un bo francés:
velaí está a menciña,
eu a túa, ti a miña.
   Camões XXI

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36
Preciosa Laura, miña doce amada
pediríache agora unha mamada
pero para non ser descortés
direiche que me fagas un francés.

Desatemos as nosas fortes paixóns;
mentres ti chuches no meu portaavións
eu lamberei o teu salobre catamarán
e as nosas accións sesenta e nove se chamarán.

Preme, retorce e tira do meu escroto
até conseguires vaciarme polo meu esgoto,
espreme até a última gota o meu vulto palpitante
como me fai sempre Aznar en pose indignante.
   HP

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37
os meus nabos enchen a túa horta;
quérote aínda que sexas torta;
ouh meu inútil saco de patacas
se aínda se mantivesen novas...
ámote na cociña
tanto coma un peixe
á súa espiña;
canto máis vella te pos
menos tempo lle queda ao noso romance
para ir onde o cura encarga-lo nicho;
querote aínda que te olvides de deixarme ve-lo fubol tranquilo;
os viños de máis cos que chego a casa son só para verte máis belida;
vales máis que a fresadora vella do john deere;
sempre miña
iso si na cociña
   XB

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38
Haiku

Vulto no leito
Un bico nos teus beizos
outros non quero
   Serampor

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39
Chantado no portaavións
oíndo o ruxir das máquinas
penso nos teus vultos, dous
da túa figura fantástica.
¡Quen me dera ser francés
para falarche de amur
con palabras ou paroles
con algo máis de glamur,
guindando rosas vermellas
e algunha violeta azul
sobre o chan, baixo os teus pés
calzados de xaturú!
   Irene

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40
ÁCCESIT. Premio Pessoa ao máis heterónimo

Prezada Laura amorosa,
rosa como a cor da rosa,
violeta como a violeta
que a cor da dor não afeta,
e azul como o mar azul
que cobre a água de tul:

Se estás longe, n'estás perto
e a beijar-te não acerto.
Se estás perto, me aproximo
a que me dês muito mimo
enquanto boto bombinhas
humanitárias, boínhas
que não matam: tendem flores
de uránio, sangue e amores.

Quanto estou ao teu carão
vem-me toda a inspiração:
desenho mapas, conquistas,
beijos contra terroristas,
carícias aos muçulmanos
afegãos, sírios, iraquianos,
Sol de Sol e Luz de Luz
que o teu Amor me produz.

Quando estou entre os teus braços
vou desenhando os meus passos,
que são os da salvação
da minha eterna Nação:

Se me dás um beijo, mando
a Afeganistão um comando
para matar esse Ossama
que tão pouquinho nos ama.
Se me dás a mão, invado
qualquer país ao seu lado
com exércitos de amor
para cantar ao Senhor
o meu Cantar dos Cantares
por terras, ares e mares.

E se me fitas nos olhos
com os teus olhos, abrolhos
da mais pura Paz do mundo,
num grande abraço me fundo:
Fundo-me com a luz de Deus
para desterrar os véus,
para ungir de Santo Óleo
as Sodomas do petróleo,
as Gomorras de diamantes
brilhantes como os teus olhos,
como os teus olhos brilhantes.

Por ti mato com carinho
uma mulher, um meninho,
com pólvora cuidadosa
que –como tu!– cheira a rosa.
Por ti envio suaves tropas
que ao assassinar alçam copas:
sangue santo de Jesus
na metralha dum obus,
corpo de Cristo gentil
no disparo dum fuzil.

Por ti envio portaaviões
carregados de bombons,
por ti ofereço ao mundo o vulto
para que me rinda culto,
por ti amo-te em francês
neste mundo do revês.

E por ti sempre relembro
esse Onze de Setembro,
essa dor americana
muito maior que a iraquiana:
três mil mortos são milhões
se são os nossos peões,
e são poucos se são deles,
que têm diferentes peles.

Prezada Laura, Laurinha:
Já o entardecer se adivinha.
Cerne-se na Casa Branca
a mágoa que mais me manca:
a ausência da minha amada
da cor da terra queimada,
de peitos como montanhas
com rebentadas entranhas,
de cabelos tão cumpridos
como membros espargidos,
e de sussurro tão forte
como a doce voz da Morte.

Porque tenho uma Missão
que me sai do coração,
onde aninham a paixão
e a defesa da Nação,

eu só canto esta verdade
para toda a Humanidade:
Cheira a pólvora em Bagdade
e eu, com esta soidade...
   Salomão

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